MIGRAÇÃO, RACISMO E O PODER DA IMAGEM
Fábrica do Braço da Prata
12, 13 e 14 de Novembro de 2009
Org. www.artafrica.info
Com o apoio de Africa.cont, Câmara Municipal de Lisboa, Maumaus , Escola de Artes Visuais, Università degli Studi di Napoli, L’Orientale.
Partindo de uma iniciativa do website www.artafrica.info, o Ciclo inclui a a exibição de um conjunto de filmes, uma exposição e uma performance que, de forma distinta mas complementar, abordam estes temas.
O ciclo incluirá ainda um debate em torno das propostas sugeridas pelas imagens alternativas que serão apresentadas. Participação de Alessandro Triulzi, Dagmawi Yimer, John Akomfrah, Luciana Fina, Mamadou Ba.
Obras de Francisco Vidal, Henrique Neves, Mónica de Miranda.
Performance por Teodolinda Varela and Sofia Ferreira
Para consultar o flyer, contendo o programa completo, clique aqui.
"Racismo e migração são dois temas frequentemente associados. Com efeito, os discursos sobre ‘mestiçagem’ ou ‘multiculturalismo’ vêem-se confrontados com posições e políticas cada vez mais restritivas no que toca à imigração, numa Europa a que Etienne Balibar chamou do ‘apartheid’.
Portugal, que agora se define, circunstancialmente, como ’europeu’, oscila entre a emigração, que desde sempre o caracterizou e, mais recentemente, o aumento da imigração, como o demonstra a história do país e de todas as nações europeias.
Com efeito, a ideia de ‘pureza’ foi uma invenção da Europa iluminista e romântica, segundo a qual (quase todos) os modernos estados-nação seriam fundados no ‘solo’ e no ‘sangue’. Por outro lado, essa ‘pureza’ encontrou a sua contrapartida no estabelecimento de outras fronteiras que construiram os ‘indígenas', no espaço colonial distante como seres ‘outros’, ‘racialmente’ diferentes, ‘indígenas’ esses que, contudo, também marcaram indelevelmente a paisagem ‘metropolitana’ europeia, a nível nacional e, agora, transnacional.
Mas, para além das migrações de antigas colónias tem-se vindo a assistir, em Portugal, à imigração de populações ‘não-lusófonas’, o que complica ainda mais o contexto migratório.
Ao mesmo tempo, os ‘brandos costumes’ parecem ser crescentemente contrariados por alarmismos face a ‘bairros problemáticos’ ou máfias de origem nacional diversa, numa associação perigosamente discutível entre ‘imigração e criminalidade’ e que os media ajudam a disseminar ou a criar. Estes, oscilando entre o securitarismo e uma tolerância proclamada, também ajudam a construir uma imagem de uma ‘alteridade’ quase absoluta, em que as imagens têm um papel preponderante.
Até que ponto o cinema – documentário ou ficção – as artes visuais podem conter estas tendências e propor outras narrativas mais contraditórias, efectivamente plurais?
Estas são algumas das questões que o Ciclo Migração, Racismo e o Poder da Imagem pretende abordar."
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